O estresse térmico acontece quando o corpo de um trabalhador é exposto a temperaturas muito altas ou muito baixas e não consegue mais regular sua temperatura interna de forma eficiente. Isso afeta diretamente a saúde, a concentração e a segurança durante a jornada de trabalho, especialmente em ambientes industriais com variações térmicas intensas.
A exposição ao calor ou frio afeta a frequência cardíaca e o desempenho físico e mental do colaborador. Por isso, é fundamental monitorar esses dados fisiológicos para agir antes que os sintomas comprometam a segurança e o rendimento no trabalho.
Como funciona o monitoramento na Dersalis
Durante a criação ou edição de um monitoramento, você poderá selecionar o tipo de dado que deseja acompanhar. No caso de estresse térmico, a lógica é baseada em dois cenários principais: calor e frio.
🔸 Valores de referência
Alta temperatura (calor):
Frequência Cardíaca (FC) ≥ 120 bpm
Temperatura ≥ 40 °C
Baixa temperatura (frio):
FC ≥ 120 bpm ou FC ≤ 60 bpm
Temperatura ≤ 15 °C
Para que o evento seja registrado, os valores acima precisam ser mantidos por pelo menos 10 minutos.
Variáveis configuráveis
Você pode definir:
O limite de frequência cardíaca
O limite de temperatura
O tempo mínimo de análise contínua
Essas configurações permitem adaptar o monitoramento à realidade térmica de cada ambiente de trabalho.
O que pode causar o estresse térmico?
Calor: dificuldade de troca de calor com o ambiente, suor excessivo, perda de líquidos e sais minerais. Esse cenário é comum em operações industriais como caldeiras, fundições, estufas, siderúrgicas e áreas com fornos ou equipamentos que geram grande radiação térmica.
Frio: vasoconstrição periférica, tremores, dificuldade de movimentação, perda de precisão. Situações típicas ocorrem em câmaras frigoríficas, galpões logísticos abertos, processos de laminação a frio e trabalhos ao ar livre em regiões de clima frio.
Outros fatores comuns: uso de EPIs impermeáveis (como macacões aluminizados), ambientes sem ventilação adequada, exposição solar direta e trabalhos realizados em áreas confinadas com baixa troca de ar. Essas condições agravam o risco tanto de superaquecimento quanto de hipotermia.
Vantagens
Programação de pausas conforme os dados fisiológicos.
Definição de limites personalizados de exposição ao calor ou frio.
Prevenção de acidentes causados por queda de vigilância ou concentração.
Apoio à gestão de riscos e ao cumprimento de normas como NR-15, ISO 7243 e ISO 9886.
Recomendações operacionais
Oriente seus colaboradores a fazer pausas em locais adequados (sombra ou áreas climatizadas).
Garanta hidratação e roupas apropriadas para o ambiente de trabalho.
Acompanhe os alertas de estresse térmico diretamente na plataforma para agir rapidamente.
Referências
ISO 7243:2017 – Ergonomics of the thermal environment
Avaliação do estresse térmico por calor utilizando o índice WBGT (Wet Bulb Globe Temperature). https://www.iso.org/standard/67188.htmlISO 9886:2004 – Ergonomics—Evaluation of thermal strain by physiological measurements
Define métodos para avaliação do estresse térmico com base em parâmetros fisiológicos como frequência cardíaca e temperatura corporal. https://www.iso.org/standard/34115.htmlNR-15 – Atividades e Operações Insalubres (Brasil)
Anexo 3: trata especificamente da exposição ao calor no ambiente de trabalho.
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-15NIOSH Criteria for a Recommended Standard: Occupational Exposure to Heat and Hot Environments (2016)
Documento técnico do CDC/NIOSH com recomendações baseadas em evidências para ambientes de calor extremo.
https://www.cdc.gov/niosh/docs/2016-106/Kong, W. et al. (2023). Occupational Heat Stress in Industrial Environments: Assessment and Control.
Aborda os impactos fisiológicos e estratégias de mitigação.
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0003687023000546