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Por que mensurar falhas e erros humanos?

Entenda como fatores fisiológicos e comportamentais impactam a segurança operacional

Atualizado há mais de 6 meses

Antes de falar sobre falhas e erros é importante destacar o conceito sobre fatores humanos trabalhado na Dersalis: conforme Grattan (2018), eles podem ser compreendidos como toda e qualquer coisa que possa interferir na relação entre oferta e demanda de trabalho. Dessa forma, esses fatores relacionados às características físicas, fisiológicas e sociais que afetam a interação humana com equipamentos, sistemas, processos e outros indivíduos ou equipes de trabalho, carecem de ser mensurados para que ações possam impedir ou eliminar o comportamento de risco operacional.

Contudo, em todos os setores produtivos, a fadiga é quem reduz o desempenho do operador, sendo responsável por alterar sinais e sintomas do colaborador, tais como retardar o tempo de reação, reduzir a atenção ou concentração, limitar a memória a curto prazo, e ser capaz de afetar o poder de julgamento do indivíduo.

Por isso, faz-se importante monitorar o comportamento humano, através da mensuração da probabilidade de erro humano associado à tarefa, diante dos desafios de cada setor com longas jornadas de trabalho ou mesmo quando são fora do padrão, com turnos noturnos ou quando as tarefas são monótonas, e, quando há exposição à situações estressantes e prolongadas.

Com isso, a análise do erro humano e a avaliação da fadiga em trabalhadores vem sendo muito estudada por aplicação de métodos subjetivos e objetivos, dentre eles, destacam-se os questionários e testes de vigilância psicomotora. Contudo, os resultados são muito sensíveis à vieses subjetivos e interferência das tarefas executadas pelos operadores, que segundo Armario et al. (2020), apesar dos resultados dos testes psicométricos serem capazes de avaliar o estado de ansiedade ou mesmo estresse, as respostas podem ser muito distantes da resposta biológica, posto a natural busca por estratégias para melhor lidar com a situação de se realizar o teste, impactando assim, nos resultados.

De acordo com Armario et al. (2020), as alternativas para mensuração do erro humano estão na identificação precoce dos estressores. Portanto, a partir da observação das alterações do comportamento, quando a demanda da atividade de trabalho superar a capacidade fisiológica e mental de resolução, alterações endócrino metabólicas e do sistema nervoso central ativam a liberação marcadores fisiológicos que são capazes de medir a resposta de um indivíduo frente a situações de estresse, bem como da intensidade do estressor (fator em excesso).

Por isso, é importante monitorar os fatores externos (calor, vibração) e internos (preparo intelectual, condicionamento físico, mental e doenças), posto que corroboram para o equilíbrio ou mesmo, desequilíbrio do ser humano durante os processos de tomada de decisão.

Quando um fator encontra-se em excesso, o corpo humano pode apresentar respostas específicas para adaptabilidade (real ou percebida) e enfrentamento (passivo ou ativo), contudo, torna-se exposto ao risco e com isso, a específica probabilidade para erro humano.

Assim, conforme Burlacu et al. 2021, a variabilidade cardíaca se apresenta como um marcador potencialmente valioso para sonolência, fadiga e monitoramento de estresse, segundo alterações da atividade do sistema nervoso simpático e parassimpático.

E assim, Sparrow et al (2019), reforçam que a tecnologia para detecção de fadiga é ampla e suficiente para evidenciar sobre a sua influência no ser humano a partir de alterações na variabilidade cardíaca, medidas oculares, alterações na voz ou fala. Em contraste com os sistemas de detecção de fadiga por testes de aptidão para o trabalho que requerem medidas momentâneas do indivíduo, o monitoramento contínuo a partir de dados vitais, fornece alternativa para o rastreamento das alterações também subsequentes da fadiga ao longo do tempo.[

Portanto, a solução Dersalis visa identificar e mitigar a progressão do comportamento humano de risco a partir de variáveis fisiológicas, coletadas ao longo da jornada de trabalho em operações industriais. É muito importante o envolvimento das equipes de saúde e segurança além da equipe operacional, para criação de alertas que irão compor o monitoramento das frentes de trabalho a partir de um mecanismo de barreira humana capaz de minimizar a probabilidade de falhas humanas, valorizando o entendimento e valorização do Swiss Cheese Model de James Reason's, que conforme Larouzee & Le Coze (2020) continua sendo o mais relevante devido aos seus fundamentos sistêmicos e uso sustentado em indústrias de alto risco.

Illustration of James Reason's "Swiss Cheese Model" theory



Referências

  • Ahn, S. I., Kurt, R. E., & Akyuz, E. (2022). Application of a SPAR-H based framework to assess human reliability during emergency response drill for man overboard on ships. Ocean Engineering, 251. https://doi.org/10.1016/j.oceaneng.2022.111089

  • Armario, A., Labad, J., & Nadal, R. (2020). Focusing attention on biological markers of acute stressor intensity: Empirical evidence and limitations. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 111. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2020.01.013

  • Burlacu, A., Brinza, C., Brezulianu, A., & Covic, A. (2021). Accurate and Early Detection of Sleepiness, Fatigue and Stress Levels in Drivers through Heart Rate Variability Parameters: A Systematic Review. Reviews in Cardiovascular Medicine, 22(3). https://doi.org/10.31083/J.RCM2203090

  • Darbandy, M. T., Rostamnezhad, M., Hussain, S., Khosravi, A., Nahavandi, S., & Sani, Z. A. (2020). A New Approach to Detect the Physical Fatigue Utilizing Heart Rate Signals. Research in Cardiovascular Medicine, 9(1). https://doi.org/10.4103/rcm.rcm_8_20

  • Grattan, D. J. (2018). Improving barrier effectiveness using human factors methods. Journal of Loss Prevention in the Process Industries, 55. https://doi.org/10.1016/j.jlp.2018.07.016

  • Gurubhagavatula, I., Barger, L. K., Barnes, C. M., Basner, M., Boivin, D. B., Dawson, D., et al. (2021). Guiding Principles for Determining Work Shift Duration and Addressing the Effects of Work Shift Duration on Performance, Safety, and Health. Sleep, 44(11). https://doi.org/10.1093/sleep/zsab161

  • Nwankwo, C. D., Arewa, A. O., & Eseonu, W. N. (2022). Analysis of accidents caused by human factors in the oil and gas industry using the HFACS-OGI framework. Journal of Occupational Safety and Ergonomics, 28(3). https://doi.org/10.1080/10803548.2021.1976238

  • Sparrow, A. M., LaJambe, C. M., & Van Dongen, H. P. A. (2019). Drowsiness Measures for Commercial Motor Vehicle Operations. Accident Analysis and Prevention, 126. https://doi.org/10.1016/j.aap.2018.04.020

  • Wong, I., & Swanson, N. (2022). Approaches to Managing Work-Related Fatigue to Meet the Needs of American Workers and Employers. American Journal of Industrial Medicine, 65(11). https://doi.org/10.1002/ajim.23402


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